Metodologia

Fonte primeiro. Síntese depois. Denominador sempre visível.

A cartografia só é útil se deixar claro o que veio do edital, o que foi efetivamente observado em prova, o que foi normalizado pelo projeto e qual conjunto de dados sustenta cada comparação.

1. Evidência de edital

Certames entram na base com URL oficial, instituição, ano, banca, cargo/perfil e data de verificação. O edital descreve o universo declarado de cobrança, não aquilo que necessariamente apareceu no caderno aplicado.

2. Evidência de prova

A M4 mantém um corpus separado de cadernos efetivamente aplicados. Cada registro guarda estrutura da prova, temas observados, nome do arquivo e SHA-256. Os PDFs não são redistribuídos pelo repositório.

3. Camada curatorial

Nomes como “Infraestrutura e Redes” ou “Generalista” são categorias do projeto. Elas conectam nomenclaturas diferentes sem fingir que editais ou provas são idênticos.

4. Macroconhecimentos

Toda trilha pode ser ligada a blocos amplos como Redes, Banco de Dados ou Governança. Essa camada permite navegar mesmo antes de uma fonte ser decomposta integralmente.

5. Tópicos granulares

Itens como VLAN, IPv6, normalização, COBIT 2019 ou ITIL 4 são associados a uma taxonomia comum. O rótulo da taxonomia continua sendo uma síntese, não uma citação literal do documento.

6. Reaproveitamento

A comparação de editais usa interseção de conjuntos. Macroconhecimentos oferecem um sinal amplo; a comparação granular só aparece quando os dois editais possuem tópicos decompostos. Nenhum percentual mede dificuldade, peso ou chance de aprovação.

7. Frequência de edital

A frequência da M3 usa a trilha/cargo-perfil como unidade de análise. No modo macro, o denominador contém todas as trilhas do recorte. No granular, apenas trilhas de edital já decompostas. Provas reais não entram nessa conta.

8. Incidência em prova

A M4 prepara uma métrica distinta: presença ou quantidade de questões observadas em cadernos reais. Ela só será agregada quando a classificação questão a questão tiver denominador próprio e cobertura revisada.

9. Geografia normalizada

A M5 trata localização como uma relação entre certame, trilha e território. Uma trilha pode ter várias cidades; outra pode existir apenas em nível estadual; uma abrangência nacional não é transformada artificialmente em um ponto no centro do país.

10. Cobertura do mapa

Somente trilhas com localização suficientemente decomposta entram no mapa. “Múltiplas localidades” e abrangências nacionais permanecem em uma fila explícita de normalização. A interface informa quantas trilhas do recorte estão geocodificadas.

11. Intensidade territorial

Um estado mais intenso no modo de cobertura significa apenas que mais trilhas catalogadas e geocodificadas daquele recorte estão associadas à UF. Não significa mais vagas, maior frequência de concursos ou melhor mercado.

12. Compatibilidade geográfica

No modo de compatibilidade da M5, cada UF recebe o maior Jaccard macro entre a trilha de referência e as trilhas geocodificadas do recorte. É uma forma de localizar reaproveitamento conceitual, não de estimar aprovação, remuneração ou atratividade.

13. Núcleo observado

O “núcleo” é apenas o conjunto de itens que alcança um limiar escolhido dentro de um recorte. Ele descreve a amostra catalogada; não é uma lista universal de prioridades de estudo.

14. Versionamento e fingerprint

Dados, fontes, taxonomia, localizações e extrações vivem no repositório e mudam por commit. Para provas recebidas como arquivo, o SHA-256 identifica exatamente o caderno que sustentou a curadoria sem exigir que o PDF seja versionado.

15. Cobertura documental

Em editais, “macro” e “tópicos” indicam o nível de decomposição do programa. Em provas, “parcial” significa que já existem temas classificados, mas o caderno ainda não passou por classificação exaustiva questão a questão.

16. Presença não é peso

Frequência de presença não significa percentual da prova, número de questões, dificuldade ou esforço de estudo. Edital, prova e geografia respondem perguntas diferentes e permanecem em camadas distintas.

17. Limites

A amostra não representa automaticamente todo o universo de concursos brasileiros. Frequências, observações e mapas descrevem a base atual e devem ser interpretados como evidência exploratória, não como estimativa populacional.

Princípio editorial: quando uma afirmação puder ser lida como fato do concurso, ela deve ser rastreável à fonte. Quando for síntese do projeto, deve aparecer como síntese. Quando for estatística ou mapa, o corpus, a unidade, a cobertura e o denominador devem ser auditáveis.